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Giro pela Rede: publicações fortalecem a proteção de defensoras/es

  • Date : 30 de abril de 2026

Curadoria reúne análises, denúncias e reflexões que ajudam a compreender o cenário atual e fortalecer estratégias de proteção no Brasil e no mundo

Por Redação

O Giro pela Rede é uma nova ação de visibilidade de produção de memória da comunicação do CBDDH. O objetivo da curadoria é apresentar publicações recentes, desenvolvidas pelas organizações e movimentos sociais que compõem o Comitê, que funcionam como ferramentas importantes para a proteção de defensoras e defensores de direitos humanos.

Serão reunidas no Giro pela Rede análises, denúncias e produções da sociedade civil, a seleção contribui para compreender o contexto de violações, fortalecer a incidência política e ampliar repertórios de atuação nos territórios.

Nesta primeira edição #1, destacamos, o dossiê “A morte veste farda”, publicado pelo Iniciativa Direitos à Memória e Justiça Racial (IDMJRacial), analisa o orçamento público de 2026 e denuncia o fortalecimento de políticas de segurança baseadas na militarização, com impactos diretos sobre populações negras e periféricas.

No plano internacional, ganha destaque o relatório “Operação Contenção” publicado pela Comissão Interamericana de Direitos Humanos, sistematizado pela Justiça Global, que aponta preocupações com a violência, a criminalização e a fragilidade das políticas de proteção a defensoras e defensores no Brasil.

Neste cenário das violações graves, reportagem do Projeto Colabora destaca o lançamento do livro sobre os desaparecimentos forçados na Baixada Fluminense, cuja iniciativa é da Associação Fórum Grita Baixada e do Observatório Fluminense da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ). No estudo, a violência estrutural é que evidencia a ausência de respostas do Estado e os impactos profundos para famílias e comunidades dos desaparecidos.

Já no Brasil, o relatório Conflitos no Campo Brasil 2025, da Comissão Pastoral da Terra (CPT), revela que, apesar da redução no número total de conflitos, a violência no campo se intensificou, com aumento de 100% nos assassinatos e concentração de casos na região Norte. A publicação denuncia a persistência de violações ligadas à disputa por terra, ao trabalho escravo e à ação de grandes interesses econômicos, evidenciando a gravidade do cenário enfrentado por comunidades e defensoras e defensores de direitos humanos no país.

A memória e a resistência ao Massacre de Eldorado do Carajás seguem sendo uma dimensão importante de reflexão da luta da reforma agrária no Brasil. Em 2026, completou-se 30 anos do massacre e o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra reforçam a permanência da luta por justiça e o enfrentamento à impunidade histórica. A Repórter Brasil traz o depoimento de José Carlos Agarito Moreira, que foi assentado e viveu da roça por 20 anos, mas deixou a terra após o agravamento das sequelas em decorrência das feridas do massacre.

A ARTIGO 19 lançou uma capacitação voltada à sociedade civil “Democratizando o Direito Concorrencial” para democratizar o debate sobre direito concorrencial no Brasil. A iniciativa busca fortalecer a atuação de organizações em temas ligados à concentração econômica e seus impactos nos direitos humanos, oferecendo formação, apoio para participação presencial e incentivo à inclusão de grupos historicamente sub-representados. As inscrições podem ser realizadas até dia 05 de maio.

A Conectas Direitos Humanos lançou a 33ª edição da Revista Sur com foco nos desafios da defesa de direitos diante do avanço do autoritarismo global. A publicação reúne artigos, entrevistas e análises que apontam caminhos para fortalecer a agenda de direitos humanos, com destaque para a solidariedade e a atuação da sociedade civil em contextos de ataques à democracia.

A Criola lançou a segunda edição da cartilha Terreiros em Luta, voltada ao enfrentamento do racismo religioso no Brasil. A publicação reúne orientações, canais de denúncia e caminhos de proteção para fortalecer a defesa de lideranças e comunidades de terreiro diante de violações de direitos.

Destacamos também a série Proteção Popular, um conjunto de cadernos organizado pela Sociedade Maranhense de Direitos Humanos (SMDH), que apresenta e valoriza estratégias coletivas de cuidado e segurança para defensoras e defensores de direitos humanos. O material reforça o papel da organização comunitária, da formação política e da atuação em rede como caminhos para enfrentar violências e proteger a vida nos territórios.

O Conselho Nacional de Direitos Humanos (CNDH) tornou público o relatório que denuncia violações de direitos humanos associadas às atividades de grandes empreendimentos de mineração na Bahia. A Associação de Advogados/as de Trabalhadores/as Rurais (AATR), integrante do CBDDH, foi uma das organizações da sociedade civil que denunciou as violações ao CNDH. O documento reúne evidências de impactos sobre comunidades e territórios, reforçando a necessidade de responsabilização, proteção às populações afetadas e fortalecimento de mecanismos de controle e fiscalização.

Recomendamos também a leitura da cobertura do Conselho Indigenista Missionário (Cimi) sobre o Acampamento Terra Livre (ATL), que reuniu mais de 7 mil indígenas de cerca de 200 povos em Brasília. A mobilização de 2026 reafirmou a centralidade da demarcação de terras e cobrou respostas dos três Poderes diante do avanço de violações e da exploração econômica sobre territórios tradicionais.

Para o Comitê Brasileiro de Defensoras e Defensores de Direitos Humanos (CBDDH), o conjunto dessas publicações reafirma a importância da produção de conhecimento, da memória e da articulação em rede como pilares para a proteção de defensoras e defensores de direitos humanos.

Em um cenário de múltiplas violações, fortalecer narrativas, compartilhar ferramentas e ampliar a visibilidade das lutas é parte essencial da defesa de direitos.