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Giro Pela Rede #6: Ferramentas para cobrar direitos nas eleições e depois delas

  • Date : 13 de outubro de 2026

O Comitê Brasileiro de Defensoras e Defensores de Direitos Humanos (CBDDH), articulação que reúne 47 organizações e movimentos sociais de todo o país, apresenta mais uma edição da editoria Giro Pela Rede!

A editoria é uma iniciativa da comunicação do Comitê para dar visibilidade ao trabalho das organizações parceiras e fazer circular materiais que fortalecem a proteção popular de quem defende a vida, os territórios e a democracia.

Nesta edição, recomendamos nove conteúdos para acompanhar as eleições e cobrar quem for eleito, entre eles: o relatório do Cimi sobre o Congresso anti-indígena, o programa da juventude do Levante, a carta feminista e antirracista por uma política de cuidados e o balanço dos 30 anos das cotas para mulheres na política. A seleção traz também guias e experiências de comunicação popular e de organização nos territórios. Confira nossa curadoria!

Congresso Anti-Indígena: os parlamentares que mais atuaram contra os direitos dos povos indígenas

Antes de virar plataforma online, lançada em setembro deste ano, o “Congresso Anti-Indígena” foi um relatório publicado pelo Conselho Indigenista Missionário (Cimi) em 2018. O documento traz a ficha dos 50 parlamentares (40 deputados e 10 senadores) que mais atuaram contra os direitos indígenas na legislatura de 2015 a 2018, com os projetos que apresentaram e quem financiou suas campanhas: somadas, as doações declaradas ao TSE chegaram a R$ 145 milhões, R$ 33,6 milhões delas vindas do agronegócio. Vale a leitura para entender a origem da ferramenta que agora acompanha o Congresso até 2026.

Guia de Fontes da Brasil de Direitos
Disponível no acervo do Movimento Nacional de Direitos Humanos (MNDH), o guia produzido pelo Fundo Brasil reúne o contato de mais de 50 organizações de defesa de direitos de todo o país, divididas em 12 temas, do combate ao trabalho escravo aos direitos de crianças e adolescentes. A dica é para jornalistas e comunicadores que querem ouvir na cobertura quem atua nos territórios, e não só as fontes oficiais.

Dossiê “O futuro é local”
Produzido pelo Fala Roça e pela Agência Mural, com a Fundação Itaú, o dossiê reúne as propostas da 3ª Conferência de Jornalismo das Favelas e Periferias, realizada na Rocinha, no Rio de Janeiro, em outubro de 2025, com o tema “Justiça climática para nossos territórios”. A ARTIGO 19, que apoiou a conferência, apresenta o material como um guia de recomendações para fortalecer as mídias comunitárias, defender a justiça climática nos territórios e reduzir as desigualdades de acesso à informação. A dica vale para coletivos de comunicação popular e para quem financia ou cobre o jornalismo feito nas favelas e periferias.

Política Nacional de Direitos das Populações Atingidas por Barragens: uma conquista histórica
Nesta cartilha, o Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) conta a luta que levou à aprovação da Política Nacional de Direitos das Populações Atingidas por Barragens (PNAB), explica os principais artigos da lei e aponta o que falta para que ela seja aplicada por inteiro, diante da emergência climática e das novas fontes de geração de energia. O material foi feito para o debate nos grupos e nas comunidades atingidas, e serve também a movimentos e sindicatos que acompanham a pauta.

Programa Popular para a Juventude
O Levante Popular da Juventude lançou para 2026 o programa que organiza suas propostas em nove eixos, entre eles o fim da guerra às drogas e o desencarceramento, o fim da escala 6×1 sem redução salarial, tarifa zero no transporte, a derrubada do marco temporal e o Plano Juventude Negra Viva como política de Estado. O documento completo, em PDF, traz a análise de conjuntura e as propostas detalhadas, e pode ser usado para cobrar compromisso de candidaturas e de quem for eleito.

Carta Manifesto por uma Política Nacional de Cuidados às Eleições de 2026
Publicada pelo Centro Feminista de Estudos e Assessoria (Cfemea), a carta do Fórum Feminista Antirracista por uma Política Nacional de Cuidados cobra de candidaturas, partidos e governos que o cuidado entre como compromisso de campanha. O documento pede orçamento e prazos para a Política Nacional de Cuidados (Lei 15.069/2024) e suas 79 ações, a formalização do trabalho doméstico, hoje abaixo de 30%, e a aprovação da PEC 14/2024, que torna o cuidado um direito constitucional. Mulheres negras são 69,9% das cuidadoras do país, e as creches públicas atendem só 41,2% das crianças de até 3 anos. A dica é usar a carta para cobrar compromissos no segundo turno e acompanhar quem for eleito.

30 anos das cotas para mulheres na política
A Revista Afirmativa faz um balanço de três décadas da lei que criou as cotas de gênero nas candidaturas, aplicadas desde as eleições municipais de 1996. As mulheres são quase 53% do eleitorado, mas ocupam cerca de 18% das cadeiras da Câmara, e em 2026 somam 34,85% das candidaturas consideradas pelo TSE para a divisão dos fundos eleitorais. O artigo trata das candidaturas laranjas, do financiamento desviado para candidaturas masculinas e da violência política de gênero e raça, e defende reserva de cadeiras e paridade. Leitura é útil para analisar o resultado das urnas depois do segundo turno.

Campanha Quero Me Ver no Poder chega à 4ª edição
Criada em 2020 pela Plataforma dos Movimentos Sociais por Outro Sistema Político, com apoio do Inesc e parceria da Revista Afirmativa desde 2022, a campanha defende a presença de mulheres, pessoas negras, indígenas, LGBTQIAPN+, pessoas com deficiência, juventudes e moradores de periferias nos espaços de decisão. Nesta edição, o foco é o voto para o Legislativo, onde a desigualdade persiste: brancos ainda ocupam cerca de 72% das cadeiras da Câmara, e as mulheres, que são 52,47% do eleitorado, têm cerca de 18%. A campanha também trata de desinformação, violência política de raça e gênero, fraudes às cotas e financiamento de campanhas. “Quando uma mulher negra chega, ela carrega consigo muitas outras que vieram antes”, diz Ayala Santerio, do Coletivo N’zinga.

Farinhada: mulheres do MST e do Cfemea organizam cooperativa feminista no DF
A primeira farinhada da Cooperativa Feminista para a Sustentabilidade (Coofesus) traz uma metodologia participativa para organizar ações no território. No Acampamento 8 de Março, em Planaltina (DF), agricultoras do MST dividiram as tarefas da produção de farinha de mandioca agroecológica e decidiram juntas o preço e a comercialização. O relato do Cfemea, escrito pelas próprias participantes, mostra como a atividade integra o laboratório organizacional do Cfemea com o MST no Distrito Federal e Entorno. A dica serve a movimentos e coletivos que querem construir organização a partir da prática coletiva.