Amelinha é referência global da luta das mulheres e da democracia contra a barbárie estatal

O Comitê Brasileiro de Defensoras e Defensores de Direitos Humanos (CBDDH), composto por 47 organizações e movimentos sociais da sociedade civil, manifesta seu profundo pesar pelo falecimento de Maria Amélia de Almeida Teles, ocorrido nesta terça-feira, aos 81 anos. Perdemos uma referência fundamental da resistência democrática, do feminismo e da defesa intransigente dos direitos humanos no Brasil.
Sobrevivente da tortura e da perseguição da ditadura militar, período em que foi presa política junto a sua família pelo DOI-CODI, Amelinha Teles transformou a dor e a violência do Estado em uma luta incansável por memória, verdade e justiça. Sua trajetória confunde-se com a própria história da construção democrática brasileira. Através de sua militância no Partido Comunista do Brasil (PCdoB), de sua atuação na União Brasileira de Mulheres (UBM) e de seu trabalho incansável no Centro Santo Dias de Direitos Humanos, ela dedicou cada dia de sua vida a denunciar os crimes do regime militar, a apoiar vítimas de violência estatal e a pautar os direitos das mulheres.
Amelinha foi uma defensora incansável das defensoras e defensores de direitos humanos, emprestando sua voz e sua coragem para que as graves violações do passado jamais fossem esquecidas ou repetidas. Sua contribuição para a Comissão da Verdade do Estado de São Paulo e seu testemunho corajoso perante tribunais e comissões foram pilares essenciais para expor a face criminosa da ditadura e responsabilizar seus agentes.
Para o CBDDH, a partida de Amelinha deixa uma lacuna imensurável, mas seu legado permanece vivo em cada coletivo, em cada mulher em luta e em cada defensor e defensora que resiste contra o autoritarismo e a opressão. O seu exemplo de coerência, combatividade e ternura continuará a guiar nossos passos e nossas ações de visibilidade e incidência política.
Amelinha Teles, presente! Hoje e sempre.
Brasília, 15 de setembro de 2026.
Comitê Brasileiro de Defensoras e Defensores de Direitos Humanos (CBDDH)
