Produzido pela equipe de Comunicação do CBDDH, o Giro pela Rede funciona como uma vitrine de conteúdos que funcionam como ferramentas de proteção para defensores de direitos humanos. Nosso objetivo é mapear denúncias e estudos da sociedade civil que ajudem a decifrar o cenário atual de violações, qualificando a incidência política e inspirando novas formas de resistência e ativismo comunitário.
Memória, território e direitos Humanos
A Terra de Direitos e o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) lançaram a cartilha “Justiça por Antonio Tavares: o direito de lutar pela terra e por reforma agrária”. O material resgata a história do assassinato do camponês Antonio Tavares durante o “Massacre da BR-277”, em 2000, quando uma ação da Polícia Militar do Paraná deixou mais de 200 trabalhadores rurais feridos. A publicação apresenta a longa trajetória de luta por justiça, que culminou na condenação do Estado brasileiro pela Corte Interamericana de Direitos Humanos.
Na mesma linha de denúncia, a organização Justiça nos Trilhos, em parceria com as próprias comunidades, mapeou as violações cometidas na região do Corredor Carajás pela cadeia da mineração, siderurgia e monocultivos. O mapa revela que mais de 100 comunidades — muitas delas seculares, incluindo povos indígenas e quilombolas — são impactadas direta e indiretamente pelo agronegócio e pela mineração nos estados do Maranhão e do Pará.
Campanhas e solidariedade
Para fortalecer quem está na linha de frente, a Sociedade Maranhense de Direitos Humanos (SMDH) e o Movimento Nacional de Direitos Humanos (MNDH), com o apoio da União Europeia, lançaram a campanha nacional “Defensoras e Defensores Vivos: Defender Direitos Humanos é Defender a Vida!”. A mobilização busca ampliar a valorização pública dessas lideranças e combater a estigmatização, a criminalização e a desinformação que ameaçam os territórios e a nossa democracia.
Por falar em fortalecimento, a Associação Fórum Grita Baixada (FGB) precisa de apoio para conquistar sua nova sede. Por isso, a organização lançou uma campanha de financiamento coletivo para arrecadar R$ 7 mil, valor que será usado no aluguel do espaço e na compra de móveis e equipamentos. A ideia é que o novo local ofereça a privacidade necessária para acolher famílias de vítimas da violência de Estado. Que tal dar uma força?
Políticas públicas e gênero
O protagonismo das populações afetadas também é o tema central da publicação “Nós, atingidos e atingidas”, do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB). O documento traz diagnósticos preliminares para a criação de políticas públicas reparatórias, defendendo uma perspectiva que coloque os sujeitos no centro das decisões, respeitando suas múltiplas identidades e diversidades regionais.
No campo dos direitos de gênero, o Cfemea publicou uma análise profunda sobre o livro “O que o Congresso pensa sobre as mulheres?”, da pesquisadora Marina Ganzarolli. O artigo mostra como as disputas sobre gênero, sexualidade e reprodução se tornaram centrais na atuação de setores conservadores e de extrema-direita nas últimas décadas, apontando que a maioria das propostas legislativas ainda é atravessada por visões moralistas e de controle sobre os corpos femininos. Uma leitura indispensável!
Ainda sobre direitos e saúde, a organização Criola lançou a campanha “Não atrapalhe nosso fluxo”. O objetivo é denunciar as falhas na implementação do Programa de Dignidade Menstrual e cobrar do Estado maior transparência e eficácia nas políticas públicas. A mobilização joga luz sobre os impactos da pobreza menstrual, que afeta gravemente meninas e mulheres negras e periféricas.
Ferramentas de formação e conscientização em outras redes
Para quem busca aprender de forma lúdica, a Universidade Federal de Goiás (UFG), em parceria com a Câmara Municipal de Goiânia, criou um jogo de tabuleiro no estilo “detetive”. Nele, os jogadores ajudam heroínas a impedir crimes de violência de gênero. Toda a dinâmica do jogo Empoderadas é baseada na Lei Maria da Penha, funcionando como uma ferramenta pedagógica excelente para identificar a violência e o racismo.
Por fim, o Núcleo Piratininga de Comunicação (NPC), junto com a Fundação Rosa Luxemburgo, preparou um curso completo de Mídias Sociais e Inteligência Artificial. Não é um conteúdo superficial: são dois módulos densos (com quatro aulas e uma apostila cada). É a formação ideal para ativistas, militantes e comunicadores populares que querem disputar narrativas e enfrentar a desinformação, os monopólios digitais e o tecnofeudalismo. É gratuito!