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Nota de Solidariedade a Deputada Federal Erika Hilton

  • Date : 19 de março de 2026

 

Nota de Solidariedade a Deputada Federal Erika Hilton

O Comitê Brasileiro de Defensoras e Defensores de Direitos Humanos vem a público manifestar sua solidariedade à deputada federal Erika Hilton, diante do contexto de ataques e tentativas de deslegitimação relacionados à sua atuação e à sua presença na presidência da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher do Congresso Nacional.

A eleição de Erika Hilton para a presidência desta Comissão representa um marco histórico na política brasileira. Mulher negra, travesti e oriunda das periferias, sua trajetória simboliza a força das lutas populares e a urgência de transformação das estruturas de poder que historicamente excluíram corpos dissidentes dos espaços institucionais.

Ao assumir a presidência da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher, Erika Hilton sucede a Célia Xakriabá, primeira mulher indígena a ocupar este espaço, dando continuidade a um processo histórico de ruptura com a exclusão estrutural que marca as instituições políticas brasileiras. Essa transição carrega um profundo significado político: de uma liderança indígena para uma mulher negra e travesti, ambas oriundas de territórios historicamente marginalizados, reafirma-se a urgência de que os espaços de poder sejam ocupados por aquelas que vivenciam, em seus corpos e trajetórias, as múltiplas dimensões das desigualdades. Trata-se não apenas de uma sucessão institucional, mas da consolidação de um projeto político comprometido com a diversidade, a justiça social e a centralidade das vozes historicamente silenciadas.

Os ataques dirigidos à deputada não são episódios isolados. Eles fazem parte de um padrão sistemático de violência política de gênero e raça, que se intensifica contra mulheres, pessoas negras, pessoas trans e defensoras de direitos humanos que ousam ocupar espaços de poder. Trata-se de uma estratégia de silenciamento que busca não apenas atingir indivíduos, mas deslegitimar agendas inteiras comprometidas com a justiça social, a igualdade e a garantia de direitos.

Reafirmamos que a violência política — especialmente aquela marcada por misoginia, racismo e transfobia — é uma grave ameaça à democracia. Não há democracia plena sem a participação livre, segura e efetiva de todas e todos, especialmente daquelas que historicamente foram excluídas dos espaços de decisão. A presença de Erika Hilton na presidência da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher do Congresso Nacional fortalece a possibilidade de construção de políticas públicas mais conectadas com a realidade dos territórios, com as demandas das mulheres em sua diversidade e com a centralidade do cuidado como eixo estruturante da ação política.

Neste momento, é fundamental que as instituições democráticas assegurem o pleno exercício do mandato parlamentar, com respeito, segurança e condições adequadas de atuação. Da mesma forma, é urgente que se avancem medidas concretas de enfrentamento à violência política, incluindo mecanismos de responsabilização e proteção.

O Comitê Brasileiro de Defensoras e Defensores de Direitos Humanos se soma às vozes que defendem o direito de Erika Hilton exercer seu mandato com dignidade e reafirma seu compromisso com a proteção de todas as pessoas que, nos territórios e nas instituições, lutam por direitos.

Seguiremos vigilantes e em luta.
Comitê Brasileiro de Defensoras e Defensores de Direitos Humanos
Março de 2026